Menino Bonito

Menino Bonito
Menino Bonito
Mas houve um rosto bonito
que era de homem e de menino
que de longe da sua terra do nunca
trouxe por entre seus dedos compridos
muitas ervas, alecrim e manjericão
 
Dormia sob madeixas cinzas
Sem glórias, sem terra, sem medalhas
sem paixões, nem amores
Somente ervas, alecrim e manjericão
 
Hoje é retrato sem moldura
Fotos sequenciadas de um banco de dados
Restos de memórias esquecidas
Dormentes ao chão, cinzas na roda do arado
Mechas cortadas e rosto apagado
 
O peso das malas, da casa, da terra,
do relógio, dos carros, do asfalto,
da roupa no varal, do arroz, dos móveis,
das ferramentas, dos sonhos,
dos erros, do passado, do futuro,
das vidas, tradições, confusões
Tudo agora não passam de estórias vazias
 
Roteiro inacabado de drama sem fim 
O diretor sumiu, a atriz sucumbiu
Cenas conflitantes de sorrisos, beijos e vinho
Fogueira ardendo sob vento forte
Aroma e suor distintos
 
(Zaida Machado)
Pela roda de arado
 
O título deste poema foi escolhido por causa dessa música, da nossa querida: Rita Lee
 
Menino, Rita Lee (Mutantes) 
 
 

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